18 DE ABRIL DE 1857 - "LE LIVRE DES ESPRITS"

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18 DE ABRIL DE 1857 - "LE LIVRE DES ESPRITS"Posted ter, 23/03/2010 - 00:05 by editor
A primeira edição de "O Livro dos Espíritos", era em formato grande, in-8º, com 176 páginas de texto, e apresentava o assunto distribuído em duas colunas. Quinhentas e uma perguntas e respectivas respostas estavam contidas nas três partes em que então se dividia a obra: "Doutrina Espírita", "Leis Morais", "Esperanças e Consolações". A primeira parte tem dez capítulos; a segunda, onze; e a terceira, três. Cinco páginas eram ocupadas com interessante índice alfabético das matérias, índice que nas edições seguintes foi cancelado.



"No momento de publicá-lo - diz H. Sausse (24) -, o Autor ficou muito embaraçado em resolver como o assinaria, se com o seu nome - Hippolyte Léon Denizard Rivail, ou com um pseudônimo. Sendo o seu nome muito conhecido do mundo científico, em virtude dos seus trabalhos anteriores, e podendo originar confusão, talvez mesmo prejudicar o êxito do empreendimento, ele adotou o alvitre de o assinar com o nome de Allan Kardec, nome que, segundo lhe revelara o guia, ele tivera ao tempo dos druidas."



Sausse explica, noutro lugar de sua obra, que Z..., o Espírito protetor do Professor Rivail, é quem fez a revelação acima, tendo Z... (ou Zéfiro) acrescentado que ambos viveram juntos nas Gálias, unindo-os, desde então, uma amizade que os séculos fortaleceriam ainda mais.



Foi assim que o surgimento de "O Livro dos Espíritos", fruto de revelações dos Invisíveis - "observadas, comparadas e julgadas" -, tornou duplamente histórica a data de 18 de abril de 1857, pois o nome Allan Kardec identificava o Missionário Máximo do Espiritismo, nascido no mundo dos homens com o livro divulgador da respectiva filosofia.

A crítica malévola dos adversários do Espiritismo não deixou passar sem animadversão o pseudônimo do Professor Rivail. Já em 1857, este se preocupava em prestar esclarecimentos sobre o assunto (25). O Dr. Sylvino Canuto Abreu, residente na cidade de São Paulo, possui em seus arquivos o rascunho, escrito pelo próprio punho do Codificador, de uma carta por ele dirigida a Tiedeman, em 27 de outubro de 1857, nos seguintes termos:



"Duas palavras ainda a propósito do pseudônimo. Direi primeiramente que neste assunto lancei mão de um artifício, uma vez que dentre 100 escritores há sempre 3/4 que não são conhecidos por seus nomes verdadeiros, com a só diferença de que a maior parte toma apelidos de pura fantasia, enquanto que o pseudônimo Allan Kardec guarda uma certa significação, podendo eu reivindicá-lo como próprio em nome da Doutrina. Digo mais: ele engloba todo um ensinamento cujo conhecimento por parte do público reservo-me o direito de protelar... Existe, aliás, um motivo que a tudo orienta: não tomei esta atitude sem consultar os Espíritos, uma vez que nada faço sem lhes ouvir a opinião. E isto o fiz por diversas vezes e através de diferentes médiuns, e não somente eles autorizaram esta medida, como também a aprovaram." (26)



Somente dezoito anos depois da publicação de "O Livro dos Espíritos" surgiria a oportunidade que os inimigos da Doutrina Espírita esperavam para atacar publicamente e sem rebuços a onomatópose do Codificador. A história desse ataque foi resumida em "Reformador" de dezembro de 1975, às páginas 20 e 21, donde tiramos os seguintes trechos:




"Cinco anos após a desencarnação de Allan Kardec, a "Revue Spirite" publicou inúmeros artigos sobre fotografia de Espíritos, ilustrando-os, bem assim as notas informativas que a respeito estampava, com as fotos das pessoas que posavam para os fotógrafos (Buguet - médium - e Firman), e junto às quais apareciam amigos ou parentes desencarnados. Uma das fotografias, de Madame Allan Kardec, trazia a imagem do Codificador do Espiritismo, ostentando uma mensagem em francês, transcrita também na "Revue Spirite". No ano seguinte - 1875 -, precisamente no dia 16 de junho, quarta-feira, instaurava-se um processo que ficaria célebre: o Procès des Spirites (Processo dos Espíritas), movido em Paris, pelo Ministério Público, contra Buguet, Firman e, também (e especialmente, é óbvio), Pierre-Gaëtan Leymarie. ( ... ) O Procès des Spirites é algo tenebroso, autêntica peça inquisitorial, só concebível de ter existido nos distantes tempos da Idade Média. As próprias autoridades judiciais se permitiram dialogar de forma desrespeitosa com os acusados, avançando conclusões e, mesmo, desvirtuando informações, com o intuito indisfarçado de prejulgar. Nem sequer a viúva Allan Kardec, que prestou declarações como testemunha intimada a comparecer a interrogatório, teve o tratamento devido aos seus cabelos brancos, conforme protesto verbal, na hora, e escrito, que exigiu fosse exarado nos autos respectivos." (27)



Do mencionado interrogatório, a que foi submetida a viúva Kardec, constam as seguintes perguntas e respostas, relativas ao pseudônimo do Codificador:




Juiz Millet - Afinal, em que época o Sr. Rivail adotou o nome de Allan Kardec?
Sra. Rivail - Por volta de 1857.
Juiz Millet - Onde buscou ele esse nome? Num manual de bruxaria?
Sra. Rivail - Não sei o que o Sr. pretende dizer.
Juiz Millet - Nós conhecemos as origens dos livros de seu marido; ele se valeu sobretudo de um manual de bruxaria de 1522, de um outro livro intitulado Alberti... e de outros.
Sra. Rivail - Todos os livros de meu marido foram criados por ele, com a ajuda de médiuns e evocações. Não conheço nenhum dos livros a que o Sr. se refere.
Juiz Millet - Nós os conhecemos; o nome de Allan Kardec, que seu marido adotou, é o nome de uma grande floresta da Bretanha (28). A Sra. erigiu a seu esposo um túmulo no Père-Lachaise e nele colocou o nome de Allan Kardec; está convencida de que ele foi tal?
Sra. Rivail - Eu creio que não se deve gracejar sobre isso. Não é agradável ver rir de tais coisas.
Juiz Millet - Nós não estimamos as pessoas que se apropriam de nomes que não lhes pertencem, escritores que pilham de obras antigas, que ludibriam o espírito público.
Sra. Rivail - Todos os literatos usam pseudônimos; meu marido nada pilhou.
Juiz Millet - Foi um compilador, não um literato; um homem que fez magia negra ou branca; fique sentada! (29)



O que a cega e irreverente malevolência dos acusadores do Codificador sempre fez questão de esquecer é que o uso de pseudônimo sempre foi, é e será comum em toda parte. Não são apenas aos literatos que os utilizam; a prática também é vulgar entre os artistas e até entre os políticos. Os monarcas e os Papas se dão novos nomes quando são coroados. Nas ordens religiosas católicas trocam-se os nomes dos que fazem votos. E as pessoas de todos os povos, em todos os países do mundo, usam corriqueiramente apelidos familiares ou sociais.



A verdade é que, ao adotar o pseudônimo de Kardec, o Professor Hippolyte Léon Denizard Rivail deu valioso testemunho não somente de fé, mas igualmente de humildade, pois seu nome civil era dos mais ilustres da França. Ele descendia de antiga e conceituada família, cujos membros brilharam na advocacia e na magistratura.



Uma pessoa com tantos méritos e nome tão ilustre não precisava ocultar-se, senão por nobres razões, por trás de um pseudônimo.



Se Allan Kardec não fora um austero sacerdote druida, teria sido talvez, no começo da era cristã, um daqueles jovens gauleses que, esquecidos da língua dos pais, disputavam entre si, em grego ou latim, a palma da eloqüência nos chamados "ludi miscelli", espécie de torneios oratórios instituídos por Calígula em Lugdunum (Lião). Esta cidade tornara-se para a Gália qual foco literário cujo brilho radiava ao longe. Sábios romanos ali fixaram residência, foram fundadas livrarias e, a exemplo de Roma, a capital das Gálias tinha, também, seus professores livres e suas escolas municipais onde se ensinavam as gramáticas grega e latina, a retórica e a poesia.



(24) Henri Sausse: "Biographie d'Allan Kardec", 4me édition, página 32.



(25) Em "Reformador" de 1976 (novembro, pp. 331/333), no artigo "Rivail - o direito de ser Kardec", antecipáramos considerações e referências sobre o pseudônimo de H.L.D. Rivail, aqui formuladas.



(26) Esse Sr. Tiedeman, destinatário da carta, parece ser o mesmo que, à época, hesitou muito em decidir-se a apoiar Rivail, financeiramente, no empreendimento da "Revue Spirite". Mais tarde (vide "Obras Póstumas", Segunda Parte, nota aos apontamentos da reunião de 15-11-1857, 15ª edição, FEB, p. 294), o Codificador reconheceu fora para ele uma felicidade não ter tido quem lhe fornecesse fundos, pois, "sozinho, eu não tinha que prestar contas a ninguém, embora, pelo que respeitava ao trabalho, me fosse pesada a tarefa". A Espiritualidade Superior lhe adiantara: "Podes prescindir dele." Pôde, realmente, arcando pessoalmente com todo o ônus da empreitada.



A carta aludida, por constituir documento histórico do Espiritismo, vai transcrita, a seguir, em francês, na parte referente ao pseudônimo:



"Deux mots encore sur le pseudonyme. Je dirai d'abord qu'en cela j'ai suivi un rusage reçu, puisque sur 100 écrivains il y en a les 3/4 qui ne sont pas connus sous leur véritable nom, avec cette différence que la plupart prennent des noms de pure fantaisie, tandis que celui d'Allan Kardec a une signification et que je puis le revendiquer comme mien au nom de la doctrine. Je dis plus: il renferme tout un enseignement que je me reserve de faire connaïtre plus tard. ( . . . ) Il y a d'ailleurs une raison qui domine tout: je n'ai point pris ce parti sans consulter les Esprits, puisque je ne fais rien sans leur avis. Je 1'ai fait à plusieurs reprises et par différents médiums; or, ils ont non seulement autorisé, mais approuvé cette mesure."' (O manuscrito integra o rico acervo do arquivo de raridades históricas do Espiritismo, pertencente ao Dr. Canuto Abreu.)



(27) O "Procès des Spirites" foi editado pela FEB. Precedendo o inteiro teor do documentário, em francês, há uma "Apresentação", em português, fartamente ilustrada e anotada, que Hermínio C. Miranda preparou (de 123 páginas), a pedido da Federação Espírita Brasileira, resumindo o livro da Sra. Marina P.-G. Leymarie. Esta última parte foi publicada, também, separadamente.



(28) O Juiz incorreu em "equívoco": não sendo tão grande, a tal floresta não mereceu registro nos compêndios de Geografia nem nos dicionários e enciclopédias...



(29) Eis o protesto escrito da viúva Rivail (p. 8 do apêndice ao "Procès des Spirites"):



"Declaro que o Sr. Presidente da Sétima Câmara Correcional não me deixou livre para bem desenvolver o meu pensamento, pois, em meu interrogatório, introduziu reflexões estranhas ao debate e desejou ridiculizar o Sr. Rivail, conhecido como Allan Kardec, fazendo dele um simples compilador e negando seu título de escritor. Protesto energicamente contra essa maneira de interrogar e solicito ser ouvida novamente, porque é costume na França respeitar as senhoras, sobretudo quando têm cabelos brancos. Não deveriam interromper-me e mandar assentar-me, após terem-se divertido com o que considero como inatacável, ou seja, o direito de ter feito construir um túmulo para o meu companheiro de provações, para o esposo estimável e honrado por homens do mais alto valor."



Fonte: Allan Kardec, Vol. II, Zêus Wantuil e Francisco Thiesen


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Comentários

  1. Abraço amigo de Portugal, votos de muita paz e rápida recuperação da querida nação Japonesa.

    M.

    Blog de Espiritismo

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