O Espiritismo no Japão



Muro Reis Pumar é um dos coordenadores do
CIMEJ-Comissão de Integração do movimento espírita do japão.
Na Foto...- Tomoh, Lourenço, Adalberto e Pumar.
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O Espiritismo no Japão
não sei se seria a melhor pessoa para escrever sobre o assunto em função do pouco tempo de permanência minha no Japão, mas visando colaborar repartindo o aprendizado, tentarei resumir o que observei de movimento espírita no Japão até o momento.

A boa notícia é que existe um movimento espírita neste país, onde as religiões xintoísta e budista dominam 99% da população, e a má notícia é que
ele é ainda muito incipiente, possui muitas dificuldades, e semeia hoje para colher no mínimo na próxima geração.
Tenho frequentado o centro espírita Comunhão Espírita Francisco Cândido Xavier,
que é o centro mais próximo de Tóquio, e um dos sete existentes em todo o Japão.
Apesar de distar mais de uma hora de minha residência no centro de Tóquio, a comunidade brasileira que o frequenta, vem em média de lugares bem mais distantes, chegando a quatro horas de viagem.

Tóquio apesar de ser uma cidade de 22 milhões de habitantes,também é conhecida pelo alto custo de vida, e os valores dos aluguéis exorbitantes inviabilizam a implantação de Centros Espíritas mais próximos, em função das já conhecidas dificuldades econômicas que o espiritismo possui em termos de contribuições voluntárias dos seus associados.

As palestras doutrinárias públicas (aos domingos – o centro não possui atividades durante a semana em função da própria distância da moradia dos seus
frequentadores e trabalhadores) são em português, e dependendo da platéia, há um resumo on line em japonês projetado na tela, realizada pelo presidente
do centro que é japonês, e fala muito bem português.

É claro que a língua é uma barreira grande, e as preces são em geral feitas nas duas línguas.
Como podem perceber, os frequentadores são quase todos brasileiros ou descendentes de brasileiros, moram distantes e em geral trabalham em fábricas
(com a crise econômica atual, encontram-se muito apreensivos pela possibilidade de desemprego e retorno ao Brasil, o que pode impactar o próprio
movimento espírita aqui).

A grande maioria, curiosamente, veio ter contato com o Espiritismo apenas depois de estar morando aqui, ou por conta de descontroles mediúnicos, ou em busca de praticar um trabalho assistencial, como veremos a seguir.
A Comunhão possui trabalhos mediúnicos aos sábados, estudo de espiritismo básico aos domingos pela manhã, e reunião pública nos domingos a tarde, sendo que em um domingo por mês (último), a palestra é feita pela manhã onde começa uma preparação intensa para o trabalho social que é realizado à noite.
Nestes domingos, há desde cedo a confecção de onigiris (espécie de comida a base de arroz, que é doado e cozido no próprio Centro, e enrolados com muito amor pelos trabalhadores), a preparação de kits higiênicos e roupas usadas para doação, além
de outros alimentos como ovos cozidos e tangerinas que são arrecadadas através de campanhas.
Durante o inverno rigoroso (como agora) o cardápio muda para comida quente (Karê – comida cozida a base de curie), e chá quente, que é mais difícil de preparar e distribuir nas ruas.
Sai do Centro uma caravana com muitos carros (algumas Vans) e há a distribuição em 3 praças públicas, após uma leitura de página em japonês para os assistidos,e a distribuição de água fluidificada.
É curioso encontrar moradores de rua, dispostos em filas desde cedo, aguardando a chegada da caravana para de forma disciplinada e educada,receberem as doações, pegarem apenas as roupas que necessitam, e agradecerem a
cada um dos trabalhadores...
Há também um encontro de todos os centros espíritas do Japão (os sete que mencionei), realizado anualmente na sede da Comunhão Espírita Francisco Cândido Xavier, o que já é um princípio de organização do movimento.
Infelizmente neste Centro ainda não há Evangelização Infantil (que penso que será o futuro pois o Espiritismo precisa deixar de ser um movimento de brasileiros para tornar-se um movimento japonês), mas há a preocupação com isto e a grande dificuldade está na barreira da língua, já que mesmo os filhos de brasileiros nascidos no Japão, em geral estudam em escolas públicas japonesas (excelentes por sinal) e falam japonês tendo dificuldades com o próprio português.
Como podem perceber, trata-se de um Centro fundado há 15 anos, que compreende dois
apartamentos no térreo de um edifício em Ichikawa (província de Chiba, mas próximo de Tóquio), cujo aluguel é suportado com muita dificuldade por espíritas que trabalham em fábricas japonesas, que moram longe e viajam horas para poder aprender
espiritismo, aprender a educar suas mediunidades, e assistir moradores de rua para que possam suportar o frio, as dificuldades do desemprego, e entregando
uma mensagem espírita traduzida para o japonês nas ruas que hoje talvez parem nas latas de coleta seletiva de lixo, mas amanhã se transformarão nos seus maiores tesouros.

Muita paz.
Mauro Reis Pumar

-FONTE
-http://www.deolindoamorim.org.br/textos/INFO_FEVEREIRO_09.pdf

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